MEDICINA INTEGRADA

A Drª Dorca Wiens, coloca-se à disposição daqueles que buscam uma solução para difíceis casos de saúde, especialmente em relação à severas doenças emocionais, síndrome do pânico, stress, depressão, além de outras.
Oferece serviço especial a estrangeiros alemães, que residem no Brasil, e desejam uma consulta na língua nativa.

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sábado, 4 de abril de 2009

A EMERGÊNCIA ESPIRITUAL E A CRISE DO MUNDO ATUAL



Christina Grof e Stanislav Grof
A Tempestuosa Busca do Ser
S. Paulo, Cultrix, 1998
Excertos adaptados

A emergência espiritual e a crise do mundo actual

Os únicos demónios do mundo são aqueles que entram nos nossos corações.
É aí que a batalha deveria ser travada.
Mahatma Gandhi

O século XX tem sido um período de triunfos sem precedentes para a espécie humana. A ciência moderna descobriu a energia nuclear, desenvolveu foguetões sofisticados que podem levar astronautas à Lua e deixar o sistema solar, descodificou o código do ADN e iniciou a engenharia genética. Uma rede electrónica que combina rádio, telefone, televisão, satélites e computadores está a transformar o mosaico fragmentado das comunidades humanas isoladas numa aldeia global.

No entanto, o lado obscuro da história do século XX – a sombra – é igualmente impressionante. Somas inimagináveis de dinheiro têm sido desperdiçadas na lou¬cura da corrida ao armamento e uma fracção mínima do arsenal disponível de armas nucleares poderia destruir toda a vida na Terra. Dezenas de milhões de pessoas foram brutalmente torturadas e mortas no Holocausto, nos locais de extermínio e nos campos de trabalho na Rússia de Estaline, assim como nas prisões de outros regimes totalitários do mundo. Muitos outros milhões de pessoas morreram nas duas guerras mundiais e em inúmeros outros confrontos violentos.

A humanidade vive no medo constante de uma outra guerra atómica, o que significaria o extermínio total da vida neste planeta. Muitos cenários apocalípticos se vão revelando de modo implacável: a poluição industrial do solo, da água e do ar; a ameaça dos acidentes provocados por resíduos nucleares; a destruição da camada de ozono; o efeito de estufa; a possível perda do oxigénio do planeta através do desflorestamento irresponsável, o envenenamento do plâncton marinho e os perigos dos aditivos tóxicos na nossa alimentação.

Enquanto os países tecnologicamente desenvolvidos vão realizando o seu sonho de um crescimento sem limites, milhares de pessoas vivem na miséria, morrendo de fome ou de doenças para as quais já existe cura. Juntamente com o acumular progressivo de riquezas, as nações industrializadas vão protagonizando um rápido aumento de distúrbios emocionais, de suicídios e de criminalidade.

Não é exagero referir-se esta situação como uma crise mundial; este desenvolvimento perigoso ameaça não apenas o homo sapiens – se é que nestas circunstâncias ainda merecemos este nome – mas também todas as outras espécies. É uma questão de vida ou morte identificar-se correctamente as causas desta situação perigosa e encontrar-se um remédio eficaz para isso.

Os problemas da fome, da pobreza e da maioria das mortes relacionadas com as doenças no mundo seriam problemas solucionáveis, se considerássemos os recursos disponíveis e o progresso da ciência. Além do despropósito psicológico das guerras, as estatísticas mostram claramente que nenhuma nação moderna ficou rica na sequência de uma guerra; a destruição sem sentido dos valores económicos, assim como das vidas humanas, é, infelizmente, uma regra geral.

Não há nenhuma necessidade real de se saquear as reservas não-renováveis e de se poluir os recursos vitais. A humanidade tem os meios e os conhecimentos tecnológicos para alimentar a população do planeta, garantir um padrão de vida razoável para todos, combater a maioria das doenças, redireccionar as indústrias para as fontes inesgotáveis de energia e evitar a poluição.

As negociações diplomáticas, administrativas e as medidas legais, intervenções sociais e económicas e outros esforços semelhantes têm surtido um efeito muito pequeno, e está a tornar-se cada vez mais claro o motivo pelo qual têm falhado. É que as dificuldades que estamos a enfrentar não são de natureza política, militar, tecnológica ou económica.

É que, embora os problemas do mundo assumam formas bem diferentes, eles não são mais do que sintomas de uma condição básica: o estado emocional, moral e espiritual da humanidade moderna. Em última análise, são o resultado colectivo do nível actual de consciência de cada ser humano.

A única solução permanente e eficaz para esses problemas seria, portanto, uma transformação interior radical da humanidade e a sua consequente ascensão a um nível mais elevado de consciência e de maturidade.

A tarefa de criar para a humanidade um conjunto diferente de valores e de tendências poderá parecer muito irreal e utópica. O que levaria a transformar a humanidade contemporânea em indivíduos capazes de uma coexistência pacífica com os seus próximos, homens ou mulheres, sem distinção de cor, de língua ou de convicção política – e, para além destes, com as outras espécies?

Como é que a humanidade poderia ficar impregnada de valores éticos profundos, de sensibilidade para com as necessidades dos outros e de uma consciência de ordem ecológica? Essa tarefa parece demasiado fantástica mesmo para uma novela de ficção científica.

Felizmente, a natureza parece ter-nos provido dos meios necessários e conduzido a experiências-piloto. Do estudo da crise e da emergência espiritual (1), assim como da pesquisa da consciência moderna e de novas formas de psicoterapia, provêm a informação e as pistas necessárias.

Entre as formas psicológicas que caracterizam a actual condição da humanidade e contribuem para a crise mundial estão uma forte predisposição para a violência, uma gula e uma ganância insaciáveis e uma insatisfação crónica, que tendem a criar uma ambição sem limites na busca de objectivos irracionais.

Além disso, muitas pessoas sofrem da grave falta da consciência de que estamos intimamente ligados à Mãe-Natureza; elas não têm a sensibilidade ecológica que é fundamental para se continuar a viver. Em última análise, todas estas características já parecem ser sintomas de uma séria alienação da vida interior e de uma perda de valores espirituais.

As pessoas que entram em contacto com os domínios transpessoais da sua psique (que procuram conhecer-se e auto-analisar-se, trabalhando com a sua sombra, confrontando-se com ela e encarando, de igual modo, a sombra colectiva), tendem a desenvolver uma nova visão da existência e uma atitude de respeito face a todas as formas de vida. A emergência espontânea de profundas preocupações ecológicas é um dos efeitos colaterais mais notáveis desse amadurecimento interior.

À medida que a capacidade de auto aceitação aumenta, o resultado é o de uma maior tolerância para com os outros. As diferenças entre as pessoas podem então tornar-se interessantes em vez de ameaçadoras, estejam elas relacionadas com o sexo, a raça, a cor, a linguagem, a convicção política ou a crença religiosa.

Quando se cresce em interioridade e em auto-conhecimento, os interesses da humanidade como um todo tendem a ter prioridade sobre os interesses limitados das pessoas, das famílias, dos partidos políticos, das classes, das nações e dos credos. O que nos une e o que temos em comum torna-se mais importante do que o que nos divide, e busca de projectos assentes em interesses meramente egoístas torna-se cada vez menos compulsiva.

Muitos psicólogos acreditam que o crescente anseio de valores espirituais representa uma tendência de evolução para um nível completamente novo da consciência humana. Alguns consideram seriamente a possibilidade de esse desenvolvimento espiritual reflectir um esforço para reverter o actual curso auto-destrutivo da raça humana.

(1) As “emergências espirituais” podem ser definidas como estágios críticos e difíceis de uma transformação psicológica profunda, que envolve todo o ser. Para entendermos o problema da crise espiritual, temos de acompanhá-lo dentro de um contexto mais amplo que é o da “emergência espiritual” – um processo complexo e evolutivo que conduz a um modo de vida mais realizado e maduro.

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